sábado, 25 de fevereiro de 2012

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Hoje pude perceber que a culpa é simplesmente toda minha. Talvez a culpa tenha sido minha desde o início, em pendurar falsos sentimentos em cada palavras que criei pra você. Em acreditar nas mentiras que foram sempre só minhas, em pensar que você devia acreditar nelas também. De que maneira eu esperaria ter algo eterno, de algo que nunca se provou verdadeiro? Imaginei muita coisa além do que existia, e mergulhei numa superfície tão funda, que era mesmo inevitável você não se sentir sufocado. Hoje eu entendo que não era você que precisava entender, mas sim eu que custei a perceber. Tudo que eu achava que existia era uma vontade descontrolada de sentir tudo aquilo que eu andava guardando. Todas aquelas palavras que eu tanto li, me criaram uma necessidade imensa de compartilhar um algo, com alguém. Eu só não percebi que te pedi demais, mais do que você era capaz de retribuir. Na verdade, nunca fomos nós dois, sempre foi apenas eu com a minha vontade de te incluir nisso tudo. Então, obrigado por me abandonar e me fazer perceber que a história andava seguindo um tema diferente do que realmente era. Você me ajudou a passar toda essa fase adolescente que eu temia chegar a conhecer. Hoje eu sei que eu precisava disso. Apesar da dor, do choro, dos dias que pareciam ser os últimos, as lembranças ainda estão aqui. E sabe do que mais? Hoje não te transmito meus sentimentos com lágrimas, ou com um olhar triste.. E sim com aquilo que mesmo oculto, jamais saiu de mim,
o meu sorriso .

Carol Stroeher.

Ela.
Não era Daniela, também não era Afrodite. Não acreditava em fadas mas sofria do efeito Peter Pan, e toda vez que crescia, sofria. E foram tantas vezes. Enfrentou de tudo. Viu seu amor maior, aquele que dele nasceu, se perder durante os anos. A cada vez que se calava, criava oceanos de palavras embocados dentro de si mesma. Por fora, cada respiração vinha com um sorriso, cada sorriso com um gosto doce, cada palavra com algo bom. Por dentro, crescia, sofria. E chorava, talvez no meio da noite, naquele quarto onde ela cresceu, ou no cômodo fechado e sem luz, que dentro de si sempre guardou. Não era infeliz, não era abençoada. Tinha problemas, dava risadas. 59 línguas diferentes não á descreveriam, nem mesmo todas as imagens e frases que no mundo há. Se identifica com tudo, e se sente perdida em qualquer lugar. Sabe amar, mas não controla o amor que tem. É linda, e banca a gata borralheira. É forte, e se derrete com uma frase. Tem uma luz imensa, que ela mesma não enxerga. Nunca desiste de ninguém, mas desiste da sua felicidade, talvez por achar que não há merece, ou por não ter tempo pra ela. Liga o phoda-se e o desliga com a mesma frequência que liga a luz. Diz que não se importa, mas nunca deixou de acreditar. Coração de gelo feito de açúcar, voz de anjo, mas fala grosso com o medo. Não se entende e não se define, mas se julga como se conhecesse á ela mesma melhor do que ninguém. Se prende nas nuvens, e nunca tira o pé do chão. Se emociona fácil, perde amores como quem perde meias, e descobre que, de novo, não era pra ser. Não entende, mas aceita. Escolhe errado, percebe o erro, erra de novo, dessa vez não percebe. Então ela sofre, ela cresce.
Olha pro céu, procura entender. Tem tantos porquês dentro de si, que as vezes até pensa que desaprendeu a contar. Sabe que as respostas estão por aí, e tem medo de procurar. É tão humilde, que não nota. É tão linda, que se choca… e esquece. Tem uma ilha no seu olhar, e com facilidade, ali até o mar se perde. Mas ela não sabe. Tem um destino único, incrível e todo dela, esperando, talvez naquele barco ali parado, encostado na costa da ilha do seu olhar, barco esse que ela já não pega há muito tempo. Mas um dia a coragem se cria, porque é do instinto. Não do instinto humano, pois muitos passam a vida com a coragem guardada, naquele mesmo quarto escuro que se escondem todas as noites de choro, mas sim do instinto de quem é forte, de quem é guerreiro, de quem nasceu pra viver, ser feliz, pra vencer.
Crescer, sofrer… mas vencer.
Amar e vencer.
Bruna Waltrick.