Carol Stroeher.
Ela.
Não era Daniela, também não era Afrodite. Não acreditava em fadas mas sofria do efeito Peter Pan, e toda vez que crescia, sofria. E foram tantas vezes. Enfrentou de tudo. Viu seu amor maior, aquele que dele nasceu, se perder durante os anos. A cada vez que se calava, criava oceanos de palavras embocados dentro de si mesma. Por fora, cada respiração vinha com um sorriso, cada sorriso com um gosto doce, cada palavra com algo bom. Por dentro, crescia, sofria. E chorava, talvez no meio da noite, naquele quarto onde ela cresceu, ou no cômodo fechado e sem luz, que dentro de si sempre guardou. Não era infeliz, não era abençoada. Tinha problemas, dava risadas. 59 línguas diferentes não á descreveriam, nem mesmo todas as imagens e frases que no mundo há. Se identifica com tudo, e se sente perdida em qualquer lugar. Sabe amar, mas não controla o amor que tem. É linda, e banca a gata borralheira. É forte, e se derrete com uma frase. Tem uma luz imensa, que ela mesma não enxerga. Nunca desiste de ninguém, mas desiste da sua felicidade, talvez por achar que não há merece, ou por não ter tempo pra ela. Liga o phoda-se e o desliga com a mesma frequência que liga a luz. Diz que não se importa, mas nunca deixou de acreditar. Coração de gelo feito de açúcar, voz de anjo, mas fala grosso com o medo. Não se entende e não se define, mas se julga como se conhecesse á ela mesma melhor do que ninguém. Se prende nas nuvens, e nunca tira o pé do chão. Se emociona fácil, perde amores como quem perde meias, e descobre que, de novo, não era pra ser. Não entende, mas aceita. Escolhe errado, percebe o erro, erra de novo, dessa vez não percebe. Então ela sofre, ela cresce.
Olha pro céu, procura entender. Tem tantos porquês dentro de si, que as vezes até pensa que desaprendeu a contar. Sabe que as respostas estão por aí, e tem medo de procurar. É tão humilde, que não nota. É tão linda, que se choca… e esquece. Tem uma ilha no seu olhar, e com facilidade, ali até o mar se perde. Mas ela não sabe. Tem um destino único, incrível e todo dela, esperando, talvez naquele barco ali parado, encostado na costa da ilha do seu olhar, barco esse que ela já não pega há muito tempo. Mas um dia a coragem se cria, porque é do instinto. Não do instinto humano, pois muitos passam a vida com a coragem guardada, naquele mesmo quarto escuro que se escondem todas as noites de choro, mas sim do instinto de quem é forte, de quem é guerreiro, de quem nasceu pra viver, ser feliz, pra vencer.
Crescer, sofrer… mas vencer.
Amar e vencer.
Bruna Waltrick.


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